quarta-feira, novembro 1

Barbeiragem 2: O Retorno!

Fui com meu filho à rodoviária comprar passagem. Aí, tava ali mesmo, resolvemos tomar suco lá naquela casa de suco que é famosa. Depois de 22 minutos contados no relógio - e uma reclamaçãozinha pra atendente que não me deu a mínima - o suco ficou pronto.


Como eu sou uma mulher que gosta de reclamar fui até o balcão formalizar a queixa, uma vez que saquei que a mocinha não ia transmitir meu recado. Repeti: "Olhe, eu fiquei 22 minutos esperando. Acho que é tempo demais para um suco ficar pronto."

A outra mocinha, que anota os pedidos, justifica: "Ah, é que tinha muita gente na sua frente. Eu retruquei: Nesse caso, você deve avisar antes."

Pra piorar o meu humor, a dona do quiosque se defende: "O nosso suco demora mesmo e os nossos clientes já sabem disso". Eu, como sou chata, vou adiante: "Pois é. Mas numa rodoviária onde passa gente de tudo quanto é canto seria bom vocês avisarem da demora". E ela, mais chata ainda: "É, mas a maior parte de nossa clientela é da cidade mesmo e eles sempre sabem". Eu digo que também sou da cidade e vou embora – prometendo a mim mesma nunca mais beber daquele suco.

Na hora de pagar o estacionamento, faço confusão com o dinheiro e digo pro Nicolas: "Nossa, eu estou muito passada".

Vinte metros depois, enfio o carro naqueles obstáculos amarelos, fazendo um barulho estrondoso. 19h30. Rodoviária cheia. Todo mundo olha. Desço do carro, pneu estourado. Aparecem uns quatro taxistas para ajudar. Empurram daqui, dali, mas o carro não sai do lugar. E interditou a única pista de saída do estacionamento. Os funcionários da rodoviária arrumam um desvio.

Os taxistas me aconselham a chamar o guincho. E desaparecem. Lá vem o funcionário da rodoviária e me avisa: "Precisa tirar o carro. A senhora está vendo o transtorno que está causando?" Eu não o mando à merda, mas digo: "O senhor deve imaginar que não é de propósito, né?"

Aparecem outros dois ao lado dele. Enquanto eu tento, em vão, encontrar o telefone do corretor de seguros, eles pegam o macaco, o estepe e trocam o pneu. Fico agradecida pela gentileza. Peço desculpas pelo nervosismo.

Logo chega uma amiga a quem havia pedido socorro. Ela não faz idéia de como esse gesto é capaz de compensar as indelicadezas anteriores. Nem fico com raiva de mim mesma. Obrigada, Marília.

8 comentários:

Aguinaldo Pavão disse...

Carina.
Imperdoável o tratamento que deram a você naquela casa de sucos da rodoviária. O fato da dona ter dito o que disse prova que no Brasil a mentalidade capitalista tem dificuldades de chegar inclusive à mente daqueles que se beneficiariam diretamente dela. Isso vale para donos de bares em geral, com raras exceções. O cliente parece um pedinte. O espantoso é que eu conheço pessoas que gostam de bares em que são mal-atendidas. Você acredita?
Bom, o atendimento na rodoviária é péssimo. Eu já senti isso.
Agora, quer dizer que os funcionários do estacionamento tratam os clientes assim? Se tivesse uns três ou quatro estacionamentos para os indivíduos escolherem, a natural concorrência poderia dar um jeito nisso. Daí a meu grito por mais capitalismo nesse país.
Ora, se você é uma cliente do estacionamento, você não pode ser interpelada do modo como foi. Um acidente demanda disposição para a ajuda, para a solicitude, principalmente de funcionários que estão lá para servir. Sou totalmente solidário a você.
Abraços.

Marília Côrtes de Ferraz disse...

shuiff... carina! fiquei até emocionada. eu é que te agradeço por ser minha amiga - e tão querida!

viu só? como eu disse, (prejuízos à parte) o episódio podia render mais um post para seu blog. e rendeu bem rsrsrs. um beijo.

carina paccola disse...

Aguinaldo, eu concordo com vc. Mesmo a casa de suco não tem concorrentes na rodoviária. A dona do negócio realmente está convencida de que ela está certa, e eu sou apenas uma cliente chata que não vai fazer a mínima diferença se nunca mais gastar um centavo ali. Com relação ao estacionamento, você não tem nem a opção para estacionar na rua, se quiser, porque não há espaço. E olhe que existe um terreno imenso em frente à rodoviária, que poderia servir tanto como estacionamento público como para mais um privado. Obrigada pela solidariedade. Um abraço.


Marília, é muito bom saber que podemos contar com os amigos, né?
Beijos

paulo briguet disse...

Situação lamentável, texto primoroso. Vilões: a mulher do suco e o funcionário da rodoviária. Heróis: os taxistas e a Marília. Suas respostas aos vilões foram ótimas! Beijo.

célia musilli disse...

hummm..que situação Carina.. acho que a mulher do suco te jogou praga..quando for assim, ao sair do lugar, reza pro anjo da guarda que ele vem...comigo acontece... beijosss

( e vivo rezando pra não passar apuro no trânsito, não sou boa neste quesito!!! rss)

Te procurei pra caramba fim de semana passada, liguei na sua casa e nada...perdi seu celular...passe de novo, please. bj

Eliane disse...

Bom saber como é o atendimento naquela lanchonete... Nunca fui lá. Assim, só irei quando estiver com muita, muita paciência mesmo. E muita sede. Um beijo.

Rafael disse...

Ca, seu blog tá baum dimais! Bom é que serve pra extravazar também, depois de um pepino que nem esse. Tivesse vc um blog nos idos de 2005, depois de um certo incidente na via de acesso ao Eixo, na 109N, teria rendido uma história impagável!
hahahaha

Saudade do estagiário cupincha!
Beijo grande

carina paccola disse...

Pô, Rafa, sabe que aquele episódio foi o melhor sobre trânsito até agora. Eu até já pensei em fazer um post sobre ele. Acho que vou fazer. Aguarde.
Um beijo, meu querido.
Morro de saudades de vocês!