quinta-feira, setembro 27

Datas inesquecíveis

Jacqueline Fahey/The Birthday Party (1974)

Ao contrário das pessoas que nunca se lembram de datas de aniversário, eu tenho uma incrível – e às vezes irritante – facilidade de memorizar aniversários.

Isso acontece em dois casos: se eu tiver alguma afeição pela pessoa ou pelo fato de eu fazer associações com aniversários já memorizados.

E então eu nunca mais esqueço. Pode ser até uma pessoa de quem não gosto. Se ela fizer aniversário no mesmo dia em que minha mãe, por exemplo, já é suficiente para que eu nunca mais me esqueça.

Eu também sou capaz de me lembrar de datas de acontecimentos noticiosos se eles coincidirem com aniversários. Eu sei que o acidente da Gol vai completar um ano em 29 de setembro porque é o dia do aniversário da minha amiga Karla. E sei que o acidente da TAM ocorreu dia 17 de julho porque é aniversário da irmã de um ex-namorado. Pronto!

Sou capaz de desfiar um rol de aniversários de ex-namorados e ainda de mãe, pai e irmãos de ex-namorados. Isso me dá uma certa raiva! Porque nem sempre eu quero lembrar, mas gruda em minha mente e não consigo me desprogramar.

Com o tempo, os meus amigos ficam desconfiados com essa minha lembrança insistente dos aniversários de todo mundo da roda... E já não valorizam mais quando eu ligo ou escrevo para dar os parabéns.

O Rogério – que faz aniversário dia 1º de dezembro, junto com a Priscila, da mesma turma de faculdade – uma vez me respondeu que nem se sentia prestigiado porque eu sabia o aniversário de todo mundo...

E o Aurélio – que faz aniversário dia 14 de junho, junto com a Marta, que também trabalhou na Folha de Londrina – fala que todo ano pelo menos três pessoas se lembram do aniversário dele: a mãe, a mulher e... EU. O pior foi que este ano eu deixei passar batido...

Eu tenho consciência de que nem sempre eu posso cumprimentar a pessoa pelo aniversário, mesmo que a encontre no dia, porque fica muito chato. São aqueles com quem tenho relações formais e por algum motivo eu fiquei sabendo do aniversário e armazenei a informação. Como eu não tenho muita intimidade, ficaria bem estranho eu dizer: Ah, hoje é seu aniversário, né, parabéns!
A pessoa poderia pensar: Nossa, que estranho, nem minha irmã se lembrou...

E eu não ligo mais se não se lembrarem do meu aniversário – que é junto com o do Renato Aragão. Antes eu ficava chateada. Agora, se eu quiser mesmo ser lembrada, eu fico avisando alguns dias antes ou convido logo pra comemorar.

6 comentários:

Selma disse...

Oi Carina, às vezes nossos "super-poderes" também são as maldições que carregamos. Mas eu gostaria de ser como você e lembrar de todas as datas importantes. Acho que minha performance fica em 50%...
Bjs!

carina disse...

Uma vez um namorado esqueceu meu aniversário e depois mandou o maior buque de flores que encontrou com o seguinte cartão: "Datas não são importantes, os sentimentos é que são". Na época, eu ri e disse a ele: boa desculpa essa. Mas hoje eu acho isso também. As datas nem são tão importantes assim. É claro que é gostoso quando alguém se lembra porque também é uma demonstração de carinho. Mas não lembrar não significa um desamor, eu acho. Beijos

Cristiana Soares disse...

Hahahaah! É sensacional isso. Por que vc não ganha dinheiro com essa habilidade? Poderia se vender como uma agenda de aniversários ambulantes.

Sinto uma certa inveja, porque até para lembrar a data de nascimento das minhas filhas eu tenho certa dificuldade...

carina paccola disse...

ah, Cristiana, pare com isso. A Lorena nasceu dia 15 de agosto. E a Luísa foi em algum dia de maio... Pra falar a verdade, eu tenho dificuldade em guardar as datas de maio... (é que na minha família ninguém nasce em maio).
E vc nasceu em 21 de fevereiro, um dia antes da minha irmã Luciana... hehe
beijos

Juliana disse...

Oi Carina! Eu, que tenho uma péssima memória (hoje, por exemplo, esqueci meu telefone celular no dentista e saí para o curso de espanhol deixando os livros para trás), também tenho essa irritante capacidade de lembrar de aniversários de pessoas com as quais nem tenho mais contato. Entre elas, até um ex-namorado, com o qual terminei em 1990 - ou seja, há quase 20 anos! -que se chama Rogério e também aniversaria em 1º de dezembro!
Ô sina!
Amei seus últimos textos, especialmente o do Borges.
Um grande abraço,
Juliana.

carina paccola disse...

Puxa, Juliana, então vc me entende...
E eu sou péssima pra me lembrar de nomes.
abraços