domingo, junho 21

Diploma não foi "presente" dos militares


A mídia brasileira sempre manipula qualquer discussão acerca do funcionamento dos meios de comunicação no Brasil e também sobre a profissão dos jornalistas. Basta lembrar como os veículos trataram a questão do Conselho Federal dos Jornalistas e como eles abordam qualquer tema de interesse da categoria profissional.

Em relação ao diploma foi a mesma coisa. A mídia apresenta apenas seus argumentos, e de maneira falaciosa. Isso é só uma demonstração de que a tal propalada “liberdade de expressão” só vale para um lado.

Por exemplo, quando apresenta que a obrigatoriedade do diploma ocorreu com o decreto de 1969, a mídia fala que foi um “presente” dos militares na tentativa de amordaçar a imprensa, de limitar a liberdade de expressão.

A história não é bem essa. Bem antes do regime militar, os jornalistas brasileiros já lutavam por melhorias na nossa profissão e reivindicavam a regulamentação profissional e uma formação específica para trabalhar na área.

Num artigo do jornalista José Carlos Torves, que é diretor da Fenaj, ele lembra: “É bom voltarmos no tempo para que a história faça justiça com os jornalistas, que lutaram e lutam, há 70 anos, na defesa da regulamentação profissional e da formação, como forma de acesso ao exercício do jornalismo.” Aqui dá para ler o artigo completo do Torves, que está muito bem fundamentado. Foi publicado no site do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais.

6 comentários:

Carlos Luz disse...

oi carina muito bom o teu comentário.. vou reproduzi-lo no meu blog...
abração...

carina paccola disse...

Oi, Carlos, obrigada! Que derrota, hein?
Um abraço

Paulo Briguet disse...

O fato de o diploma obrigatório ter vindo ou não dos militares é irrelevante (embora tenha sido aprovado, sim, no auge da ditadura). O problema é que o diploma obrigatório era injusto. Era como exigir diploma de administração para quem quisesse abrir uma empresa; ou exigir diploma de letras para quem quisesse publicar um romance. Os regimes totalitários defendiam essas ideias; decididamente, isso não combina com você.

carina paccola disse...

Paulo, nós temos ideias bem divergentes. Vivemos em um país de analfabetos ou semiletrados, o que parece que a mídia ignora. Tenho certeza que o nível do jornalismo, que já não é lá essas coisas, vai piorar com essa decisão. Os picaretas estao todos eufóricos (basta ver uma carta publicada na Gazeta do Povo hoje) e eles se sujeitam a qualquer salário. Sinceramente, você acredita que os donos de rádio, de jornais do interior, estão preocupados com qualidade? Eles nem sabem o que é isso. Totalitários são os donos da mídia que só publicam o que querem e não dão espaço para quem pensa o contrário. Hoje li uma carta publicada na Folha de Londrina (acho que na edição de sexta-feira) que alguém perguntava se então, em nome da "liberdade de expressão", iam finalmente liberar as rádios comunitárias. Curiosamente, a campanha contra as rádios comunitárias é feita pela Abert (empresa das rádios e TVs), que fica aterrorizando a população dizendo que as rádios comunitárias derrubam aviões (rs!!). E foi o Sindicato dessas empresas que moveu a ação contra o diploma. Eu estou indignada, triste e muito preocupada. Como dizia Cláudio Abramo, num país como o nosso, a mídia é quem educa o povo. Isso é muito sério. E eu levo o jornalismo a sério.

S.Paccola disse...

Os jornais do interior não estão NEM UM POUCO preocupados com a qualidade. Aliás, nem com a ortografia eles têm se preocupado...
Sábado, o editorial de um dos jornaizinhos daqui veio afirmando que a lei da imprensa era herança da ditadura, que foi criada para diminuir a quantidade de jornalistas que poderiam vir a contrariar o regime.
Muito imbecil essa opinião, que inclusive veio cheia de erros de concordância. Eles não têm capacidade nem pra conjugar o verbo "ser".
Também fiquei com raiva da decisão, é uma falta de respeito não só com vocês profissionais, mas com a população. Isso é que é um retrocesso. Querem nos deixar cada vez mais à mercê das notícias meia-boca.
Beijo.

carina paccola disse...

Sha, com qualquer pessoa que eu converso (médico, engenheiros que trabalham comigo) - todo mundo acha um absurdo essa decisão. E é engraçado que todos eles falam: Ué, mas e o Conselho de vocês, não vai fazer nada? Aí eu explico que os jornalistas tentaram ter um Conselho Federal, mas o Congresso Nacional arquivou, não teve nem coragem de votar de tanta pressão da mídia que divulgou para a sociedade como se o conselho fosse uma tentativa do governo Lula de cercear a liberdade de imprensa. Ai ai ai. é difícil, né? beijos