sexta-feira, novembro 30

Meus muitos irmãos

A família (Tarsila do Amaral)

Quando eu nasci, já tinha quatro irmãos; depois, vieram mais dois. Eu sempre digo que a gente só entende os pais depois que tem filhos. Mas até hoje eu não sei como meus pais conseguiram educar sete crianças. Houve época em que consumíamos dez litros de leite por dia; é muita comida, muito barulho, muito limite pra dar pra tanta gente ao mesmo tempo.

Na maior parte das vezes a gente recebia por parte dos meus pais uma atenção meio diluída, meio repartida, dividida. E eu me pergunto se era por isso que eu inventava de ficar sempre doente, porque aí eu acordava à noite, com febre, todo mundo estava dormindo, e minha mãe podia dar um pouco de atenção exclusiva para mim.

Uma vez namorei um cara filho único. E ele reclamava que eu não dava assim tanta atenção para ele. Eu era atenciosa, mas não na quantidade que ele dizia precisar. Depois que o namoro acabou, eu pensei que desde cedo aprendi a repartir atenção. A saber que nunca nada era tudo pra mim.

Eu gosto de ter crescido com muitos irmãos. Gosto de ter morado numa casa cheia de crianças. Se há momentos em que os pais não estão ali monitorando tudo o tempo todo, os próprios irmãos se encarregam de ensinar coisas fundamentais nas relações humanas.

Se um invadisse o espaço do outro ou tentasse ser espertinho, a reação era rápida. A gente aprendia a resolver problemas com mais autonomia, acabava se virando meio sozinha, afinal, não dava pra esperar pai ou mãe.

Na adultice, ter muitos irmãos também é muito bom. De certa forma, você se sente menos só no mundo. Mesmo que um esteja longe do outro, é bom saber que eles existem. E que se você gritar tem alguém pra responder.

9 comentários:

Sel disse...

Oi Carina! Minha condicao foi bem diferente da sua. Sou filha unica, e ao longo da vida fui sentindo muito a falta de ter um irmao, ou irmaos. Mas acho que quem realmente perde sao os pais. O filho unico nao precisa fazer forca para ter o amor dos pais, e os pais depositam todas as expectativas da vida no filho. As chances de frustracao sao bem grandes... Experiencia propria...
Bjs! Selma

carina paccola disse...

Oi, Selma, eu só tenho um filho, mas agora ele tem um irmãozinho, com quem não convive diariamente. Acho que ter irmãos é realmente uma experiência bem legal, mas eu não queria mais ter filhos. Eu acho que até que sou bem tranqüila em relação a ele, em não ficar cheia de planos sobre o futuro dele. Talvez porque meus pais não foram assim comigo acho que eu eu tb não fico criando muitas expectativas em relação a ele. Mas eu espero que ele me seja mais generoso e me dê muitos netinhos... beijos

Polly disse...

Eiiiiiiiii!!!!!!!! passei aqui só pra conecer teu blog, eut ambém estou parrticipando do amigo oculto da denise, que aliás está bem divertido:)bjs

Cristiana Soares disse...

Que bonito, Carina...

Eu acho que ser filho único é complicado porque por melhor que sejam os pais... bem, a condição de filho único não muda.

Não existe nada mais valioso mo mundo do que compartilhar de igual para igual com irmão. É o aprendizado mais bacana que existe.

E o filho único é poupado dessa experiência maravilhosa...

Carina, engravide já!

carina paccola disse...

Oi, Polly, depois vou ver com calma seu blog. Também estou gostando do nosso amigo secreto virtual. Bjs


Cris, tô fora! Eu não vou mais ter filho. Isso está mais do que decidido e consolidado. E o Nícolas já tem um irmão, mesmo que não tenha convivência diária com ele. Além disso, ele tem 13 anos; o mais legal é ter irmão mais ou menos da mesma idade. Se não, a relação é bem outra, ou seja, ele já passou desta fase. beijos

Carlos Luz disse...

olá Carina... não sei se está lembrado de mim... o carlos que fez jornalismo em Londrina... cheguei ao teu blog pela Guatá, do Silvio, que participo... gostei de suas crônicas, aliás gosto muito de crônicas...
é sempre muito bom rever as pessoas, mesmo no mundo da rede...
como vai a vida??? entra lá no meu blog... carlos-luz.blogspot.com
me escreve...
carlosaugustoluz@hotmail.com
feliz em te rever... um abração...

Fernanda Magalhães disse...

Carina querida,
adoro vir ao teu blog e ler teus textos.
Vá ao meu blog, tenho uma surpresa para você lá.
Beijos

carina paccola disse...

Oi, Carlos, estava viajando e deixei meu blog um pouco de lado. Depois vou ver o seu com calma. Um abraço.


Oi, Fernanda, obrigada. Eu estou devendo visitas mais demoradas no seu blog. beijos

Rogério disse...

Carina, caí de pára-quedas aqui, confesso, mas adorei suas palavras. Não posso dizer que identifiquei-me com o conteúdo do texto, pois cresci numa casa cheia de tios, mas eu sempre fui filho único, mesmo quando éramos muitos... Seu texto, no entanto, é de uma literariedade singular e com isso me identifico. Estou escrevendo um post que tem a pretensão de ser o maior já escrito (que bobeira minha) e citei você por lá... Grande abraço e fique com Deus.