segunda-feira, maio 7

Tempo e dinheiro

O dinheiro
Sábado eu estava saindo de um supermercado com o carrinho cheio e na única passagem rebaixada da calçada para a rua havia a roda traseira de um carro-forte que devia estar abastecendo algum caixa eletrônico por perto. Eu tive que me espremer para conseguir passar naquele espaço. É lógico que fiquei olhando fixamente para a cabine do carro para mostrar que eles estavam incomodando. E fiquei pensando que eles poderiam pensar que naquele carrinho havia uma bomba ou uma arma e poderia ser uma tentativa de assalto. Sei lá. Vai saber o que se passa na cabeça daqueles caras armados. Mas eu não devo ter cara de assaltante e eles nem desconfiaram dos meus pensamentos.

Todo carro-forte sabe que pode ocupar todos os espaços que quiser. Mais do que as finadas Torres Gêmeas, para mim, o carro-forte é o emblema máximo do capitalismo. Ou do lugar que o dinheiro ocupa na sociedade. Eu sempre penso nisso quando vejo um. Na verdade eu acho engraçado ver aqueles caras ultra-armados em torno do carro-forte e do caixa eletrônico. Unicamente para proteger quem? Eu sempre penso nisso. Até parece que do carro vai sair o Bush, ou o Papa, ou alguém considerado muito importante, que pode sofrer um atentado. Mas, não. É só o dinheiro que está dando uma voltinha.

O tempo
E quando toca o despertador de manhã, eu penso que, além do dinheiro, o tempo controla nossa vida. Tudo o que fazemos é calculado em porções de tempo. Isso também é engraçado. Cumprimos nosso trabalho em função de um tempo previamente calculado. O trabalhador escuta o relógio para saber a que horas deve deixar o seu trabalho. E sabe que tem outra porção de tempo para comer e voltar ao trabalho. E também quanto tempo foi destinado para seu sono à noite.

O tempo é nossa referência de vida. Sem calcular o tempo, será que enlouqueceríamos? Por que nos filmes quem está cumprindo anos e anos de pena fica preocupado com o tempo? Por que precisamos sempre ficar calculando quanto tempo temos para isso e aquilo se na verdade não sabemos quanto tempo temos ainda? É porque não sabemos quanto tempo temos que calculamos o tempo? Para dar tempo de fazer tudo o que queremos antes que se encerre o nosso tempo final?

Quem tem dinheiro consegue dispor melhor de seu tempo? Ou quem não se preocupa muito com dinheiro, ou para quem o dinheiro não é o centro de suas atenções, tem mais tempo livre para fazer o que bem quer? O que é mais importante: o tempo ou o dinheiro? O tempo de quem tem dinheiro vale mais do que o tempo de quem não tem? Por isso, então, que tempo é dinheiro?


2 comentários:

célia musilli disse...

oi, Carina , eu morro de medo de carro-forte, não exatamente do carro, mas daqueles brutamontes armados até os dentes que andam neles.. odeio este tipo de ostentação de força que ultravaloriza a grana em detrimento de valores mais...humanos... crianças merecem proteção, a gente merece proteção e não tem nem guarda na rua pra livrar a nossa cara, já a cara da grana....rss.
quanto ao tempo, por mim seria abolido, um ato de liberdade sem fim, mas para nos descondicionar da neura do relógio acho que levaria um bom "tempo"...sou filha de relojoeiro...rss e passei a vida olhando ponteiros, acho relógios bonitos. mas acho o tempo uma escravidão da forma como é usado.
e por que não veio me dar um abraço?? comi seu bolo...rss será que vc perdeu-se em algum azul...??? rss um beijão.

carina paccola disse...

célia, me perdi foi na mudança do tempo - dessa vez como sinônimo de situação meteorológica. foi o frio que acabou me deixando em casa... e o sono. mas eu imagino que tenha sido uma noite calorosa, cheia de amigos.
um beijão