domingo, março 4

As noites de domingo

(desenho de Miguel Madeira)

Eu não gosto das noites de domingo. Os domingos, de modo geral, são os dias mais melancólicos para mim. À noite parece que esse sentimento se agrava. É como se as noites de domingo fossem mais escuras do que as outras.

O silêncio e o vazio das ruas, durante o dia, me tocam de uma forma dolorosa. As tardes se parecem com as cidadezinhas pequenas, pacatas, sem movimento. Eu gosto das cidadezinhas pequenas apenas de passagem. Não para moradia. Se as tardes já se revestem de melancolia, o que as noites vão nos reservar?

As noites de domingo se parecem com despedidas. É quando os estudantes se despedem da casa dos pais para pegar o ônibus e partir para outros lugares. Os lugares onde eles já não são mais filhos. É quando os namorados se abraçam e se beijam, já com saudades, porque cada um sabe que tem que se preparar para cuidar de seus afazeres.

As noites de domingo são o prenúncio da separação. Da retomada da rotina longe de quem se ama. Do retorno à vida produtiva. De dias corridos em busca da sobrevivência.

Nas noites de domingo, é hora de ativar o despertador do relógio. Porque na segunda o sol nasce mais cedo do que nas manhãs de domingo. As manhãs da segunda são aguardadas ansiosamente, porque aí se sabe, se tem certeza, de que o domingo finalmente findou-se. E então já não há mais domingo, já não há mais melancolia, só há a esperança de que os dias corram, cada vez mais rápido, para mais uma vez se nascer e morrer.

10 comentários:

Rodolfo Brandão disse...

Como bem disse, as cidades pequenas, são em demasia, muito melancólicas. O pior disso tudo, é saber passar o tem num domigo, cheio de vazio, nas ruas, e nas mentes que só descriam coisas já construídas.
Sou um sobrevivente da cidade chamada Jataizinho, ( ou como eu bem digo Jatay city)...

sha disse...

não, nãon ,não.
nada disso. domingo à noite é dia de ir no pagode. e à tarde de ir na cachoeira.
por isso que eu gosto das cidadezinhas...
beijos...

carina paccola disse...

sha,
cachoeira, tudo bem. pagode, tô fora. mas que bom que vc gosta dos domingos. hoje está um domingo lindo.
beijos

ester disse...

Que texto bonito!

Viviane disse...

Nossa Ca,
Sinto exatamente isso em relação aos domingos...as noites parecem mais escuras...incrível!
Adorei!

beijão

guilherme disse...

Ca, li meio por cima, mas vou tecer um comentário mais domingueiro, quando chegar em casa eu faço. Bjs, hoje é segunda-feira, Rio de Janeiro, 14 de maio. Indo prá casa daqui a pouco.

carina paccola disse...

Aguardo seu novo comentário, Guilherme. Mas imagino que no Rio o domingo nunca deve ser entediante...
beijos

Anônimo disse...

Minha irmã... vc não tem noção como os domingos são algo imprevisíveis... qtos eu já passei, e te digo de coraçao, os que mais amei foram os que fiquei na varanda da casa da Mirian (nossa mae linda, maravilhosa.. etc.) em Piraju, qdo vcs iam embora e eu lá ficava relutando ter que voltar para tal da 'cidade maravilhosa'. Poderia aqui escrever um livro sobre isso, porém.. deixemos a imaginação fluir filosoficamente. Bjs. Gui

Claudia Miguel disse...

Carina as minhas noites de domingo já foram exatamente assim dessa forma como você soube muito bem descrever.
Claudia

carina paccola disse...

Claudia, eu ainda me sinto assim, muitas vezes. Um abraço