sexta-feira, dezembro 3

O fim do silêncio

“Não há silêncio que não termine” é o título do livro em que Ingrid Betancourt relata os quase sete anos em que ficou nas mãos das Farc, na selva colombiana. A brutalidade dos guerrilheiros, as condições desumanas na selva e a hostilidade de seus colegas no cativeiro, que chegavam a invejar o fato de Ingrid ser uma refém “ilustre”, são surpreendentes.

É admirável como essa mulher conseguiu manter a dignidade e sobreviver diante de tanta barbárie. Sua atitude de nunca se submeter irritava os guardas e os outros reféns, tão vítimas quanto ela. Ela nunca perdia de vista que estar ali, presa, era uma situação injusta contra a qual ela devia lutar o tempo todo. “Não sofri da Síndrome de Estocolmo”, diz, num dado momento. Mesmo sofrendo punições depois de ser recapturada em suas várias fugas, ela não deixava de arquitetar um modo de ser livre novamente.

Ingrid Betancourt relata o quanto procurava melhorar como ser humano e refletia o tempo todo para não se tornar um animal. Era constante o esforço dela em compreender os motivos das ações de cada um, mesmo daqueles que lhe faziam mal. Ela não se faz de vítima nem de heroína. É uma mulher que vê em cada situação um motivo para se tornar melhor, para se superar e continuar viva.

Não se pode ficar indiferente à narrativa. Há momentos em que vem um nó na garganta ou falta o ar só de imaginar a dor que a atinge, algumas vezes vem o riso por pequenas vitórias cotidianas e muitas vezes vem um sentimento de impotência e angústia por saber o quanto de crueldade existe. No capítulo em que ela narra sua liberação, não há como conter o choro. Apesar do final feliz, teria sido melhor se fosse apenas uma história de ficção.

3 comentários:

carina paccola disse...

Ah, comprei o livro depois de ouvir minha querida amiga, a Pat Zanin, contar o quanto tinha gostado da leitura. Beijos, Pat!

Patricia disse...

Oi Cá, ainda não nos falamos agora em 2011 e aproveito para lhe desejar muita alegria, bênçãos, luzes e realizações. Acabo de ler seu texto da Ingrid e adorei. Nem vítima nem heroína. Sua análise é muito bacana. Gostei também do comentário! Beijo grande, Patricia

Wayner disse...

O livro é realmente muito interessante. Mostra a bravura de uma mulher que não perdeu o caráter, mesmo em condições extremas.
Wayner