Eu já tinha gostado de Tropa de Elite, o primeiro. E hoje à tarde assisti o número dois. Gostei mais. No primeiro, muita gente achou que fosse apologia à violência da polícia. Eu não achei. Achei que era uma crítica. Agora, o Padilha "desenhou" e foi bastante explícito nessa crítica. Mas que dá medo, dá! Muito medo da polícia. É muita bandidagem! Os policiais querendo se livrar dos traficantes para eles poderem mandar! É o fim!
No Estadão de domingo, tem uma crítica de Luiz Zanin Oricchio. Não sei se o texto do blog dele é o mesmo publicado no jornal.
domingo, outubro 17
quinta-feira, outubro 7
A liberdade de expressão
No sábado, eu li a coluna da Maria Rita Kehl no Estadão e gostei muito. Acho que ela matou a pau as críticas que fazem aos programas sociais do governo. E hoje leio que ela perdeu o espaço que tinha no jornal justamente por manifestar sua opinião, que é diferente da do jornal. Ué, não é o governo Lula que é contra a liberdade de expressão? Ué, não cassaram a obrigatoriedade do diploma dos jornalistas porque o diploma representava o fim do direito da livre expressão? Esse fato só deixa mais claro aquilo que todos sabemos: a grande mídia defende a liberdade de expressão desde que essa expressão seja exatamente sobre o que ela pensa... Se alguém pensa diferente ou questiona o conteúdo dessa mídia é censura... Aqui, a entrevista da Maria Rita Kehl sobre sua demissão. E a tentativa do Estadão de se justificar...
O domingo
Inocente útil
Eu não votei no domingo porque estava viajando. Para presidente, meu voto iria para o Plínio de Arruda Sampaio. Eu não boto muita fé (já que a fé é o grande diferencial entre candidatos) na Marina Silva, assim como não acredito no Fernando Gabeira nem na Soninha Francine, e nem no PV. Eu imagino que a Marina saiba que o oba-oba que a grande mídia fez em torno da “onda verde” só aconteceu porque foi ela quem permitiu que o preferidinho da grande mídia, o Serra, fosse para o segundo turno. Se a Marina estivesse na posição da Dilma, ou seja, com condições de vencer o Serra, seria tão metralhada quanto a petista pela Veja, Estadão, Folha de S. Paulo e afins.
* *
Paulo Ubiratan
Em função da minha viagem, também não pude me despedir do jornalista Paulo Ubiratan. No domingo, na casa de um amigo, foi ele quem me disse ter ouvido no rádio sobre a morte de alguém da CBN de Londrina. Eu sabia que o Paulo estava na UTI, portanto, deduzi que era ele. No início de setembro, eu e a Benê fizemos uma visita ao Paulo que ainda estava em casa. Apesar de bastante debilitado, era o mesmo Paulo Ubiratan de sempre. Bravo, muito bravo, com sua doença. E ao mesmo tempo brincalhão.
No lançamento do livro dele, em dezembro de 2007, eu brinquei: - Sei não, hein, Paulo, gaúcho escrevendo poesia...Também fui à Câmara quando ele recebeu o título de cidadão honorário de Londrina. Ainda bem que pude compartilhar com ele esses momentos de alegria. E gostaria muito de ter ido ao seu velório no domingo.
Nos tempos de redação da Folha de Londrina, ele gostava de me provocar (o Nícolas ainda era pequeno): - Deixa comigo esse guri! Quando ele for maior, eu o levo pra conhecer as primas!
Eu respondia, brava: - Fique longe dele!!
Vou deixar o link pro texto que a Elsinha escreveu sobre o nosso amigo, e que foi publicado na Folha de Londrina de segunda e vale a pena ser lido.
Eu não votei no domingo porque estava viajando. Para presidente, meu voto iria para o Plínio de Arruda Sampaio. Eu não boto muita fé (já que a fé é o grande diferencial entre candidatos) na Marina Silva, assim como não acredito no Fernando Gabeira nem na Soninha Francine, e nem no PV. Eu imagino que a Marina saiba que o oba-oba que a grande mídia fez em torno da “onda verde” só aconteceu porque foi ela quem permitiu que o preferidinho da grande mídia, o Serra, fosse para o segundo turno. Se a Marina estivesse na posição da Dilma, ou seja, com condições de vencer o Serra, seria tão metralhada quanto a petista pela Veja, Estadão, Folha de S. Paulo e afins.
* *
Paulo Ubiratan

Em função da minha viagem, também não pude me despedir do jornalista Paulo Ubiratan. No domingo, na casa de um amigo, foi ele quem me disse ter ouvido no rádio sobre a morte de alguém da CBN de Londrina. Eu sabia que o Paulo estava na UTI, portanto, deduzi que era ele. No início de setembro, eu e a Benê fizemos uma visita ao Paulo que ainda estava em casa. Apesar de bastante debilitado, era o mesmo Paulo Ubiratan de sempre. Bravo, muito bravo, com sua doença. E ao mesmo tempo brincalhão.
No lançamento do livro dele, em dezembro de 2007, eu brinquei: - Sei não, hein, Paulo, gaúcho escrevendo poesia...Também fui à Câmara quando ele recebeu o título de cidadão honorário de Londrina. Ainda bem que pude compartilhar com ele esses momentos de alegria. E gostaria muito de ter ido ao seu velório no domingo.
Nos tempos de redação da Folha de Londrina, ele gostava de me provocar (o Nícolas ainda era pequeno): - Deixa comigo esse guri! Quando ele for maior, eu o levo pra conhecer as primas!
Eu respondia, brava: - Fique longe dele!!
Vou deixar o link pro texto que a Elsinha escreveu sobre o nosso amigo, e que foi publicado na Folha de Londrina de segunda e vale a pena ser lido.
quarta-feira, outubro 6
A caça nossa de cada dia!
Quando os homens viviam nas cavernas, o rango era garantido com a caça de algum animal. Com a agricultura, pecuária, geladeira, fogão e utensílios domésticos, ficou mais fácil se alimentar. Mas a caçada agora é outra. Caça ao dinheiro. Afinal, tudo custa dinheiro. E acho que eu sou mesmo comunista no coração. Porque eu acho o seguinte: seja lá no que você trabalha, todo dia você deveria ter direito a uma alimentação digna, à louça lavada e guardada, a uma sonequinha depois do almoço, sem distinção. Ou seja, todo mundo poderia comer o que quisesse sem se preocupar com o custo. Porque o simples fato de trabalhar lhe daria esse direito, fosse você um lixeiro ou um médico. Ah, mas são responsabilidades diferentes. Pois é, mas a sociedade precisa de todos os serviços e você pode escolher o que vai fazer – e eu duvido que quem quer ser médico ia escolher uma profissão mais fácil só porque ser médico não lhe garante ter mais direitos do que outro. Será que isso é papo de jornalista pobre?
segunda-feira, outubro 4
As mãos
Depois que desliguei o telefone percebi que, para ele, tanto fazia me ver ou não me ver, me ter ou não me ter, me agradar ou me desagradar. E fiquei com vergonha. Se tivesse alguém por perto, veria minhas faces vermelhas.
Então decidi ligar mais uma vez para desmarcar o encontro recém-marcado. Afinal, era preciso ter um pouco de dignidade. Me senti aliviada. E resolvi soltar minhas mãos das mãos dele. Pensei que se elas ainda estavam juntas era porque eu estava segurando as dele. E no dia seguinte eu senti que as minhas mãos estavam mais geladas do que sempre.
Então decidi ligar mais uma vez para desmarcar o encontro recém-marcado. Afinal, era preciso ter um pouco de dignidade. Me senti aliviada. E resolvi soltar minhas mãos das mãos dele. Pensei que se elas ainda estavam juntas era porque eu estava segurando as dele. E no dia seguinte eu senti que as minhas mãos estavam mais geladas do que sempre.
sexta-feira, setembro 24
A galinha de estimação
Na minha adolescência, havia uma galinha de estimação em casa. Não lembro bem como ela chegou. Era uma galinha pequenininha, de cor preta com um penachinho branco na cabeça. Era bem bonitinha. E era sozinha. Vivia pelo quintal, mas de manhã aparecia na porta da cozinha e falava “Cooooooo ca” meio baixinho. Então foi batizada de Coca.
Com a devida permissão da minha mãe, ela entrava na cozinha e caminhava pela casa. A minha mãe se afeiçoou a ela. E a Coca recebia um tratamento diferenciado. Minha mãe lhe dava banho de água quente e depois a secava com o secador de cabelos. Enrolada numa cobertinha, a Coca assistia TV no colo de minha mãe. E ainda havia os passeios de carro. Ela ia toda feliz...
Um tio meu, que é veterinário, quando tomou conhecimento da história, ficou indignado: Onde já se viu dar banho em galinha?
Quando meus pais resolveram se mudar, a Coca ficou com a vizinha. Com certeza, não recebeu o mesmo tratamento dispensado por minha mãe e morreu logo em seguida. Anos depois, já na faculdade, viajei para um evento em São José dos Campos. Ao ouvir meu sobrenome, um dos participantes veio me dizer que conhecia uns Paccola de Piraju e que já havia ido à minha casa. Eu tive a confirmação de que ele falava a verdade quando ele disse: A sua mãe tinha uma galinha...
Com a devida permissão da minha mãe, ela entrava na cozinha e caminhava pela casa. A minha mãe se afeiçoou a ela. E a Coca recebia um tratamento diferenciado. Minha mãe lhe dava banho de água quente e depois a secava com o secador de cabelos. Enrolada numa cobertinha, a Coca assistia TV no colo de minha mãe. E ainda havia os passeios de carro. Ela ia toda feliz...
Um tio meu, que é veterinário, quando tomou conhecimento da história, ficou indignado: Onde já se viu dar banho em galinha?
Quando meus pais resolveram se mudar, a Coca ficou com a vizinha. Com certeza, não recebeu o mesmo tratamento dispensado por minha mãe e morreu logo em seguida. Anos depois, já na faculdade, viajei para um evento em São José dos Campos. Ao ouvir meu sobrenome, um dos participantes veio me dizer que conhecia uns Paccola de Piraju e que já havia ido à minha casa. Eu tive a confirmação de que ele falava a verdade quando ele disse: A sua mãe tinha uma galinha...
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segunda-feira, setembro 13
TRT suspende carteira de jornalista para quem não é jornalista
Na semana passada, a 2ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, por unanimidade de votos, publicou acórdão tornando sem efeito a decisão em caráter liminar do juiz Rafael da Silva Marques, da 29ª Vara do Trabalho de Porto Alegre, que obrigava o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul a filiar duas pessoas não formadas em Jornalismo, o bacharel em Direito Edwin Rudyard Wolff Dick e a médica Elisete Pereira de Souza.
"É uma vitória para a categoria, e fortalece as PEC pró-jornalistas para chegarem ao plenário do Congresso Nacional", comemora o presidente do Sindicato, José Maria Rodrigues Nunes. "Segundo o Supremo Tribunal Federal, todos podem exercer a profissão de jornalista, mas no nosso entender nem todos são jornalistas - somente os diplomados. E a sindicalização e a carteira de jornalista jamais foram requisitos para exercer a profissão", explica.
O presidente da entidade viu o mandado de segurança como uma interferência jurídica dentro do associativismo, inadmissível em um país onde todos têm direitos sociais. "Conceder carteira a quem não é jornalista profissional banalizaria um documento civil com validade nacional, permitindo seu uso impróprio", aponta.
Para o advogado do Sindicato, Antonio Carlos Porto Junior, é a primeira decisão importante do TRT sobre um tema polêmico e problemático, que ajuda a desfazer a má interpretação entre trabalhar no Jornalismo e ser jornalista. "Foi decidido pelo STF que o Jornalismo pode ser exercido por quem não é bacharel, sendo possível trabalhar no Jornalismo sem ser jornalista, mas isso não faz a pessoa jornalista. Ao mesmo tempo, não pode haver sindicalização compulsória, e vale para ambos os lados. O Sindicato é de bacharéis em Jornalismo, e não pode ser obrigado a aceitar quem não é bacharel", explica Porto.
Agora, as carteiras expedidas para Dick e Elisete deverão ser recolhidas. "Ao conferir carteira de jornalista a quem não seja bacharel, está se cometendo uma ilegalidade brutal", declara o advogado.
Fonte: site do Sindicato dos Jornalistass do Rio Grande do Sul
"É uma vitória para a categoria, e fortalece as PEC pró-jornalistas para chegarem ao plenário do Congresso Nacional", comemora o presidente do Sindicato, José Maria Rodrigues Nunes. "Segundo o Supremo Tribunal Federal, todos podem exercer a profissão de jornalista, mas no nosso entender nem todos são jornalistas - somente os diplomados. E a sindicalização e a carteira de jornalista jamais foram requisitos para exercer a profissão", explica.
O presidente da entidade viu o mandado de segurança como uma interferência jurídica dentro do associativismo, inadmissível em um país onde todos têm direitos sociais. "Conceder carteira a quem não é jornalista profissional banalizaria um documento civil com validade nacional, permitindo seu uso impróprio", aponta.
Para o advogado do Sindicato, Antonio Carlos Porto Junior, é a primeira decisão importante do TRT sobre um tema polêmico e problemático, que ajuda a desfazer a má interpretação entre trabalhar no Jornalismo e ser jornalista. "Foi decidido pelo STF que o Jornalismo pode ser exercido por quem não é bacharel, sendo possível trabalhar no Jornalismo sem ser jornalista, mas isso não faz a pessoa jornalista. Ao mesmo tempo, não pode haver sindicalização compulsória, e vale para ambos os lados. O Sindicato é de bacharéis em Jornalismo, e não pode ser obrigado a aceitar quem não é bacharel", explica Porto.
Agora, as carteiras expedidas para Dick e Elisete deverão ser recolhidas. "Ao conferir carteira de jornalista a quem não seja bacharel, está se cometendo uma ilegalidade brutal", declara o advogado.
Fonte: site do Sindicato dos Jornalistass do Rio Grande do Sul
quinta-feira, setembro 2
O fim do amor...
FUNERAL BLUES
de W.H. Auden
Pare os relógios, cale o telefone
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços
brancos das pombas de ruaEvite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços
e que guardas de trânsito usem
finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite,
minha fala e meu canto.
Eu pensava que o amor era eterno; estava errado
As estrelas não são mais necessárias;
apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.
As estrelas não são mais necessárias;
apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.
Capital ecológica?
Gazeta do Povo, 2 de setembro: Pesquisa do IBGE mostra que cidades como São Paulo e Rio de Janeiro possuem as maiores concentrações médias de poluentes. Por outro lado, Curitiba tem o maior número de picos de poluição, apresentando grande número de violações dos limites tolerados.
quinta-feira, agosto 26
A Justiça do PR
A Folha de Londrina publica na edição de hoje (26 de agosto) matéria com o resultado da inspeção realizada na Justiça do paraná pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O corregedor Gilson Dipp disse que esperava que os problemas do Paraná fossem menores do que os encontrados em Estados pobres e menos organizados, como o Maranhão e o Piauí.
Ele destacou a falta de transparência nos pagamentos e as "gratificações que só existem no Paraná." E acrescenta: "A surpresa foi por ser um Estado rico, desenvolvido, do Sul do país, de imigração alemã, italiana. (...) há práticas consolidadas de pagamentos irregulares que já estão historicamente inseridos no patrimônio do servidor..."
Ele destacou a falta de transparência nos pagamentos e as "gratificações que só existem no Paraná." E acrescenta: "A surpresa foi por ser um Estado rico, desenvolvido, do Sul do país, de imigração alemã, italiana. (...) há práticas consolidadas de pagamentos irregulares que já estão historicamente inseridos no patrimônio do servidor..."
quarta-feira, agosto 25
O drama dos mineiros chilenos
A história dos 33 mineiros chilenos que estão soterrados num espaço de 55 metros quadrados, desde o dia 5 de agosto, é uma das mais dramáticas que já ouvi. Eles ainda não sabem que a previsão de resgate é para o Natal quando será finalizado um túnel de 90 cm de diâmetro pelo qual serão içados. A mina é de ouro e cobre. Os trabalhadores estão recebendo alimentação e estão em contato com quem está na superfície, inclusive familiares, médicos, psicólogos. Disseram até que um especialista da Nasa se colocou à disposição porque eles têm experiência com confinamentos humanos.
Quando eu li a notícia, lembrei-me imediatamente dos 118 tripulantes do submarino russo Kursk que morreram após uma explosão no mar de Barents, em agosto de 2000. Da explosão, sobreviveram 23 homens que devem ter tido uma morte lenta e gradual nas 24 horas seguintes ou por afogamento ou por asfixia.
Entre os acidentes em minas da história, o máximo de tempo que ficaram até o resgate foi de 25 dias numa mina inundada na China. E eram três trabalhadores.
Eu desejo muito que todos sobrevivam!
Quando eu li a notícia, lembrei-me imediatamente dos 118 tripulantes do submarino russo Kursk que morreram após uma explosão no mar de Barents, em agosto de 2000. Da explosão, sobreviveram 23 homens que devem ter tido uma morte lenta e gradual nas 24 horas seguintes ou por afogamento ou por asfixia.
Entre os acidentes em minas da história, o máximo de tempo que ficaram até o resgate foi de 25 dias numa mina inundada na China. E eram três trabalhadores.
Eu desejo muito que todos sobrevivam!
quarta-feira, agosto 4
A letra C
No sonho, ele queria me provar que tinha me amado muito no passado. No momento, ninguém mais amava ninguém. Ou melhor, ele amava outra; e eu também não o amava mais fazia tempo, até tinha outro em meu coração, mas não era o caso de dizer. Ele chegou afetuoso e queria me mostrar um caderninho. Ali estaria a prova de seu amor no passado por mim. Ao olhar o caderno, vi o meu nome escrito numa caligrafia linda, muito bem desenhada. Reconheci a letra C da minha mãe. O C mais lindo que já vi era o da minha mãe. Eu até tentei e treinei bastante para copiar. Mas, incapaz de fazer aquelas voltinhas, adotei o meio círculo. Realmente a prova era contundente. Ele havia escrito meu nome muitas vezes no caderninho, sinal de que havia mesmo me amado. Mas a letra C, na caligrafia antiga, denunciava que era um amor passado.
Gentilezas
Chovia muito forte e meu carro estava estacionado próximo a uma área coberta do supermercado. Se ele estivesse parado de ré era só abrir o portamalas e eu não iria me molhar. Eu disse isso a dois homens que bebiam cerveja e conversavam perto do carro. Um deles se ofereceu então para entrar no meu carro e inverter a posição. Aceitei a gentileza. Para isso, ele se molhou bastante e eu fiquei bastante feliz. Afinal, minha alma estava precisando mesmo de um pouco de gentileza gratuita depois de receber algumas sovas verbais nas últimas semanas
segunda-feira, julho 26
Presentes e amores
Essa cena lhe veio à memória cinco anos depois. Agora, esperava no carro enquanto o namorado subiu ao apartamento para se trocar. Ele havia dormido na casa dela e, quando saíam para almoçar fora, pediu para passar rapidamente no apartamento dele para trocar a camisa. Era uma camisa que ela havia comprado para ele seis meses antes. Mas ele já havia se esquecido disso. Ela percebeu quando ele comentou: - Sabe aquelas roupas que a gente não gosta muito...
E decidiu então que não ia mais comprar presente para namorado nenhum... Cada um que compre a própria roupa!!
segunda-feira, junho 28
Nossos vizinhos, os argentinos
Quando eu estava no colegial, houve a Guerra das Malvinas, e eu lembro que meu professor de História defendeu a Argentina. Por conta da análise dele, eu também fiquei “do lado” dos argentinos.
Depois, como boa brasileira, eu desenvolvi uma antipatia por nossos vizinhos, simplesmente por serem argentinos, e passei a classificá-los como arrogantes. Na disputa entre Pelé e Maradona, é claro que eu achava Pelé o máximo, e Maradona, o mínimo.
Quando estive a primeira vez em Buenos Aires, me surpreendi com a gentileza que encontrei nas ruas. Os argentinos eram muito atenciosos para passar informação. Teve um até que se ofereceu para completar os centavos que faltavam para comprar um bilhete de metrô, já que eu só estava com dólar no bolso e lá também não há “ônibus de graça”.
Também fiquei maravilhada com a possibilidade de andar pelas ruas portenhas à noite, com segurança, e encontrar muitos argentinos pelas ruas – senhoras simples, mas bem arrumadas, chegando aos teatros – e as livrarias abertas e sempre cheias.
Aos poucos, fui me simpatizando cada vez mais pela Argentina. Voltei a Buenos Aires uma segunda vez, e pretendo ainda voltar lá muitas vezes. As manifestações na Praça de Maio, o panelaço dos argentinos que, no final de 2001, derrubaram cinco presidentes em 12 dias e todos os protestos que levam o povo às ruas me fazem admirar cada vez mais os nossos vizinhos.
Maradona subiu no meu conceito. E confesso que, embora eu torça para que o Brasil ganhe esta Copa, eu gosto de ver os argentinos jogando.
Comecei a pensar nos nossos vizinhos depois de assistir “O Segredo dos Seus Olhos”, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro. É um drama que mistura crime e romance, ambientados na época da ditadura militar, e que tem bons momentos de humor. Uma história muito bem contada, surpreendente, com atores muito bons, principalmente Ricardo Darín, que já fez “O filho da noiva” e “Clube da Lua” – que já vi e gostei. O cinema argentino me parece mais centrado no homem e em seus dramas demasiadamente humanos do que o cinema brasileiro, mais focado nas questões sociais. Gosto de muitos filmes brasileiros, mas os argentinos me tocam mais.
Depois, como boa brasileira, eu desenvolvi uma antipatia por nossos vizinhos, simplesmente por serem argentinos, e passei a classificá-los como arrogantes. Na disputa entre Pelé e Maradona, é claro que eu achava Pelé o máximo, e Maradona, o mínimo.
Quando estive a primeira vez em Buenos Aires, me surpreendi com a gentileza que encontrei nas ruas. Os argentinos eram muito atenciosos para passar informação. Teve um até que se ofereceu para completar os centavos que faltavam para comprar um bilhete de metrô, já que eu só estava com dólar no bolso e lá também não há “ônibus de graça”.
Também fiquei maravilhada com a possibilidade de andar pelas ruas portenhas à noite, com segurança, e encontrar muitos argentinos pelas ruas – senhoras simples, mas bem arrumadas, chegando aos teatros – e as livrarias abertas e sempre cheias.
Aos poucos, fui me simpatizando cada vez mais pela Argentina. Voltei a Buenos Aires uma segunda vez, e pretendo ainda voltar lá muitas vezes. As manifestações na Praça de Maio, o panelaço dos argentinos que, no final de 2001, derrubaram cinco presidentes em 12 dias e todos os protestos que levam o povo às ruas me fazem admirar cada vez mais os nossos vizinhos.
Maradona subiu no meu conceito. E confesso que, embora eu torça para que o Brasil ganhe esta Copa, eu gosto de ver os argentinos jogando.
Comecei a pensar nos nossos vizinhos depois de assistir “O Segredo dos Seus Olhos”, ganhador do Oscar de melhor filme estrangeiro. É um drama que mistura crime e romance, ambientados na época da ditadura militar, e que tem bons momentos de humor. Uma história muito bem contada, surpreendente, com atores muito bons, principalmente Ricardo Darín, que já fez “O filho da noiva” e “Clube da Lua” – que já vi e gostei. O cinema argentino me parece mais centrado no homem e em seus dramas demasiadamente humanos do que o cinema brasileiro, mais focado nas questões sociais. Gosto de muitos filmes brasileiros, mas os argentinos me tocam mais.
domingo, junho 13
Eu odeio o frio!
O pior do frio é que todo ano ele volta. Estou com saudades de Brasília, onde o ar é até turvo de tão quente. Onde ninguém nunca pensa em comprar um aquecedor. O inverno nem começou oficialmente e eu já quero o verão. Eu não aguento mais o meu nariz escorrendo. E todo ano é a mesma coisa. Eu odeio o frio! Eu quero um Sol permanente sobre minha cabeça.
terça-feira, maio 25
Não existe ônibus de graça...
Quando era estudante, meu pai bancava todos os meus custos por aqui: moradia, alimentação, transporte e todas as necessidades básicas. Mas o orçamento era apertado. Para usar o dinheiro do ônibus com outras coisas – e também porque o ônibus era sempre apinhado e demorava muito – eu ia e voltava de carona todo dia da UEL. A não ser em dias de chuva. E quando havia greve no transporte coletivo, eu não ia à UEL, “afinal os ônibus estavam em greve” – o que era mais frequente naquela época, em meados de 1980.
Algumas vezes eu cheguei a pegar ônibus sem um tostão no bolso. A caminho da UEL, sempre encontrava um colega estudante que me cedia um passe. Por um período morei longe das rotas de carona, então pegava ônibus todo dia. Me lembro de um dia em que entrei no ônibus sem nenhum dinheiro e também não encontrei ninguém conhecido. Quando o busunga chegou no ponto do CCH, avisei o cobrador que eu ia pular a roleta porque estava sem dinheiro. Ele não gostou nada, nada. E eu, me achando a maior justa do mundo, disse: - Ah, o senhor não queria que eu faltasse à aula porque estava sem dinheiro, né?
Eu também já morei no prédio da Rádio Londrina, bem no centro, e o tanque da lavar roupas do apartamento estava com problema, então não podia ser usado. Um sábado de manhã eu precisava lavar umas peças de roupa e resolvi ir à república do meu irmão, que morava no Jardim Presidente. Mas eu só tinha o dinheiro de ida para o ônibus. Pensei: - Meu irmão financia a minha volta.
Naquela época as repúblicas não tinham telefone. Celular ainda não existia. Coloquei as roupas numa sacolinha e lá fui eu. Chegando na casa dele, não havia ninguém. Mas era livre o acesso aos fundos da casa. Entrei, lavei minha roupa, torci, dobrei e guardei de volta na sacolinha. Ia estendê-la no varal de casa que ficava numa sacada. Como eu já tinha know-how para pegar ônibus sem dinheiro, não tive dúvidas, entrei num amarelão da TCGL e não me lembro do final. Só sei que cheguei em casa sã e salva.
Alguns anos depois, já formada, eu trabalhava num jornal impresso. Numa sexta à noite fui a uma festa sem bolsa porque a que eu tinha não combinava com meu vestido. Deixei a carteira e a chave do apartamento – eu morava sozinha na av. Maringá – na bolsa de uma amiga. Ela foi embora antes e levou os meus pertences. Fiquei sem chave e sem dinheiro.
Acabei indo dormir na casa de outra amiga jornalista, que trabalhava numa rádio e morava com os pais. No dia seguinte, ela saiu antes de mim porque entrava mais cedo no trabalho e me emprestou uma roupa – porque afinal o meu vestido não combinava com o meu trabalho. Tomei café com a mãe dela, mas fiquei com vergonha de dizer que estava sem dinheiro para o ônibus.
E mais uma vez – a última – peguei o amarelão sem lenço nem documento – muito menos dinheiro. Ao chegar ao Terminal, falei para o cobrador que ia descer pela porta traseira porque estava sem dinheiro. Ele também não gostou nada, nada, mas não ia deixar isso assim. Falou que ia chamar o fiscal. Aí quem amarelou fui eu. Mas fui salva por uma senhora que havia ouvido a conversa e generosamente se ofereceu para pagar a minha passagem...
Quando lembro disso fico pensando que a minha cara-de-pau não tinha mesmo limite. Eu fiquei com vergonha de pedir dinheiro para a mãe da minha amiga, mas não tive vergonha do cobrador... É muita cara-de-pau!
Algumas vezes eu cheguei a pegar ônibus sem um tostão no bolso. A caminho da UEL, sempre encontrava um colega estudante que me cedia um passe. Por um período morei longe das rotas de carona, então pegava ônibus todo dia. Me lembro de um dia em que entrei no ônibus sem nenhum dinheiro e também não encontrei ninguém conhecido. Quando o busunga chegou no ponto do CCH, avisei o cobrador que eu ia pular a roleta porque estava sem dinheiro. Ele não gostou nada, nada. E eu, me achando a maior justa do mundo, disse: - Ah, o senhor não queria que eu faltasse à aula porque estava sem dinheiro, né?
Eu também já morei no prédio da Rádio Londrina, bem no centro, e o tanque da lavar roupas do apartamento estava com problema, então não podia ser usado. Um sábado de manhã eu precisava lavar umas peças de roupa e resolvi ir à república do meu irmão, que morava no Jardim Presidente. Mas eu só tinha o dinheiro de ida para o ônibus. Pensei: - Meu irmão financia a minha volta.
Naquela época as repúblicas não tinham telefone. Celular ainda não existia. Coloquei as roupas numa sacolinha e lá fui eu. Chegando na casa dele, não havia ninguém. Mas era livre o acesso aos fundos da casa. Entrei, lavei minha roupa, torci, dobrei e guardei de volta na sacolinha. Ia estendê-la no varal de casa que ficava numa sacada. Como eu já tinha know-how para pegar ônibus sem dinheiro, não tive dúvidas, entrei num amarelão da TCGL e não me lembro do final. Só sei que cheguei em casa sã e salva.
Alguns anos depois, já formada, eu trabalhava num jornal impresso. Numa sexta à noite fui a uma festa sem bolsa porque a que eu tinha não combinava com meu vestido. Deixei a carteira e a chave do apartamento – eu morava sozinha na av. Maringá – na bolsa de uma amiga. Ela foi embora antes e levou os meus pertences. Fiquei sem chave e sem dinheiro.
Acabei indo dormir na casa de outra amiga jornalista, que trabalhava numa rádio e morava com os pais. No dia seguinte, ela saiu antes de mim porque entrava mais cedo no trabalho e me emprestou uma roupa – porque afinal o meu vestido não combinava com o meu trabalho. Tomei café com a mãe dela, mas fiquei com vergonha de dizer que estava sem dinheiro para o ônibus.
E mais uma vez – a última – peguei o amarelão sem lenço nem documento – muito menos dinheiro. Ao chegar ao Terminal, falei para o cobrador que ia descer pela porta traseira porque estava sem dinheiro. Ele também não gostou nada, nada, mas não ia deixar isso assim. Falou que ia chamar o fiscal. Aí quem amarelou fui eu. Mas fui salva por uma senhora que havia ouvido a conversa e generosamente se ofereceu para pagar a minha passagem...
Quando lembro disso fico pensando que a minha cara-de-pau não tinha mesmo limite. Eu fiquei com vergonha de pedir dinheiro para a mãe da minha amiga, mas não tive vergonha do cobrador... É muita cara-de-pau!
segunda-feira, maio 24
Conselhos de mãe
Depois de falar pela terceira vez: – Filho, vai comer para não esfriar a comida!, ele respondeu me imitando, com voz feminina:
– Põe a blusa!
– Põe sapato!
– Põe a meia!
– Vai escovar os dentes!
– Passou fio dental?
– Desliga essa TV!
– Desliga o computador
– Vai dormir que já é tarde!
– Corta as unhas!
– Corta o cabelo!
E pra finalizar:
– Corta os pulsos!
– Põe a blusa!
– Põe sapato!
– Põe a meia!
– Vai escovar os dentes!
– Passou fio dental?
– Desliga essa TV!
– Desliga o computador
– Vai dormir que já é tarde!
– Corta as unhas!
– Corta o cabelo!
E pra finalizar:
– Corta os pulsos!
terça-feira, maio 11
A Seleção
Na minha Seleção, ia ter o goleiro Marcos, o Ronaldinho Gaúcho e também o Adriano – que na verdade eu nunca vi jogar, mas não gosto da ideia de o cara ser punido por mau comportamento. Eu sempre fico com pena daqueles jogadores que ficam na expectativa e não são chamados. Ainda bem que chamaram o Robinho, que é o único que eu conheço de fato. E assim a Seleção fica com pelo menos um jogador famoso - pelo menos para os ignorantes como eu.
quarta-feira, maio 5
Infância
Eu aprendi a ler aos cinco anos. E eu lia os gibis da Mônica. E eu tinha uma vizinha Mônica, que era um ano mais velha do que eu. E eu gostava muito de brincar com ela. Mas eu não entendia como o “menino” do gibi tinha nome de menina. É que como a Mônica do gibi batia nos meninos da rua, eu achava que era um menino com nome de menina.
E a minha irmã mais nova gostava muito de brincar comigo. Mas eu não queria brincar com ela. Queria só brincar com a Mônica. Então, um dia, enquanto minha irmã “batia a cara” no esconde-esconde, eu realmente me escondi na casa da Mônica e fiquei lá brincando a tarde inteira. Tudo para me esconder da minha irmã. E quando eu me lembro disso, mesmo depois de tanto tempo, me sinto bem culpada por ter feito isso com uma criança.
E a minha irmã mais nova gostava muito de brincar comigo. Mas eu não queria brincar com ela. Queria só brincar com a Mônica. Então, um dia, enquanto minha irmã “batia a cara” no esconde-esconde, eu realmente me escondi na casa da Mônica e fiquei lá brincando a tarde inteira. Tudo para me esconder da minha irmã. E quando eu me lembro disso, mesmo depois de tanto tempo, me sinto bem culpada por ter feito isso com uma criança.
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