quarta-feira, fevereiro 6
Declaração de amor
segunda-feira, outubro 4
As mãos
Então decidi ligar mais uma vez para desmarcar o encontro recém-marcado. Afinal, era preciso ter um pouco de dignidade. Me senti aliviada. E resolvi soltar minhas mãos das mãos dele. Pensei que se elas ainda estavam juntas era porque eu estava segurando as dele. E no dia seguinte eu senti que as minhas mãos estavam mais geladas do que sempre.
quinta-feira, setembro 2
O fim do amor...
Evite o latido do cão com um osso
Emudeça o piano e que o tambor surdo anuncie
a vinda do caixão, seguido pelo cortejo.
Que os aviões voem em círculos, gemendo
e que escrevam no céu o anúncio: ele morreu.
Ponham laços pretos nos pescoços
e que guardas de trânsito usem
finas luvas de breu.
Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste
Meus dias úteis, meus finais-de-semana,
meu meio-dia, meia-noite,
As estrelas não são mais necessárias;
apague-as uma por uma
Guarde a lua, desmonte o sol
Despeje o mar e livre-se da floresta
pois nada mais poderá ser bom como antes era.
quarta-feira, agosto 4
A letra C
segunda-feira, julho 26
Presentes e amores
Essa cena lhe veio à memória cinco anos depois. Agora, esperava no carro enquanto o namorado subiu ao apartamento para se trocar. Ele havia dormido na casa dela e, quando saíam para almoçar fora, pediu para passar rapidamente no apartamento dele para trocar a camisa. Era uma camisa que ela havia comprado para ele seis meses antes. Mas ele já havia se esquecido disso. Ela percebeu quando ele comentou: - Sabe aquelas roupas que a gente não gosta muito...
E decidiu então que não ia mais comprar presente para namorado nenhum... Cada um que compre a própria roupa!!
quinta-feira, dezembro 13
A redenção ou a perdição?

Não houve nessa terra amor de homem que me derrubasse...
Por que, agora, Brasília?
Por que, Brasília, o cenário de uma promessa de amor?
O virtual aqui se concretiza?
Ou, Brasília, você só quer desbaratinar minha cabeça?
Ou, então, quer mesmo é me pirar?
Que lógica é essa, Brasília, que confunde a minha lógica?
Por que, Brasília, o cenário?
Um amor estranho, com um estranho, precisa de uma terra estranha?
Acredito nesse presente, ou o futuro não vê a hora de me mostrar que, ora, onde já se viu, acreditar num amor em Brasília?
Brasília, esta é a sua redenção ou a minha perdição?
quinta-feira, junho 21
O silêncio é de ouro
Essa frase, de minha autoria, devia ser meu lema quando me interesso por alguém. Eu tenho uma grande capacidade de fazer comentários idiotas diante de quem eu quero impressionar – bem, a pessoa deve realmente ficar impressionada pela quantidade de asneiras que eu consigo proferir num curto espaço de tempo.
O cara está lá, cheio de boa vontade, tentando me agradar. E eu estou sinceramente sendo agradada. Mas cada interferência minha é uma catástrofe. Eu já li que é melhor ficar calada e muda nessas situações. Mas eu também quero agradar, mostrar que eu sou engraçada e, pronto, só sai idiotice.
Parece que eu sofro um ataque da síndrome da infantilidade tardia (essa eu também inventei agora). Sabe quando chega visita em casa e a criança quer fazer graça? E desanda a falar besteira e a fazer micagem? Pode o pai e a mãe olhar torto que o infeliz não se toca. Até que a mãe manda pro quarto e a criança se sente a maior injustiçada do mundo.
No meu caso, o meu sensor de idiotice é acionado tarde demais. Eu até fico calada, ouvindo tudo com a maior atenção e interesse. Mas quando me dão a deixa...
Acho que vou transformar a lista abaixo
A palavra é prata, o silêncio é ouro.
Bastante sabe quem não sabe, se calar sabe.
Em boca fechada não entra mosca.
Falar sem pensar é atirar sem apontar.
Mais vale não dizer nada, que nada dizer.
Pela boca morre o peixe.
Quem muito fala, pouco acerta.
sexta-feira, março 16
Os amores que se vão...
E eis que um belo dia, que nem precisa ser belo de verdade, pode ser até um dia cinzento, chuvoso, em que você se olha no espelho e nem se sente assim bonita, em que você nota que sua cara já traduz a sua idade. Pois bem, até mesmo nesse dia, você se dá conta de que aquele amor, aquele que quando se foi você pensou que fosse morrer (não, você não pensou isso porque você já sabia que havia perdido muitos outros amores e que não morreu, felizmente, nenhuma vez), mas de qualquer forma, aquele amor que arrancou muitas lágrimas, uivos e gemidos, finalmente se foi. E não porque apareceu outro pra substitui-lo, mas porque ele apagou, definhou e sumiu. Evaporou. Porque não havia sido alimentado e porque esse é o destino dos amores que não são mais alimentados.
Ufa! Que bom!

